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NOTÍCIAS - Entretenimento
12/08/2015
Crianças enfrentam pau de arara e longas caminhadas para estudar

Em cidades do interior do Brasil, o transporte escolar é precário.
Já em SP, a discussão é sobre a obrigação das cadeirinhas nas vans.

Vão das Almas é uma das comunidades mais isoladas da Chapada dos Veadeiros, no interior de Goiás. O lugar é um quilombo habitado por descendentes de escravos há mais de 300 anos. Ali, as crianças acordam com o galo, que canta às 4h da manhã. Dona Irani, que cuida dos filhos, sobrinhos e netos em uma casinha de palha, prepara o café para as crianças que vão para a escola. Mas é só café. A escola fica a 7 km dali e o meio de transporte é o próprio pé. Quando o rio está cheio, eles não vão para a escola. Para atravessar, eles tiram o tênis, arregaçam as calças e caminham pela água. Volta e meia encontram peixe elétrico, sucuri, arraia...

Depois de a aula já ter começado há quase duas horas, alguns alunos ainda estão chegando, porque moram muito longe. O aprendizado fica comprometido. Nesse dia, as crianças tiveram uma hora a menos de aula, por falta de merenda.

Na capital paulista são aproximadamente 13 mil veículos escolares. As vans têm que seguir as normas do Contran e serem aprovadas pelo Inmetro, que atesta a qualidade de produtos. Os bancos devem ter 30 cm, o cinto ser ajustado de acordo com o tamanho da criança e as costas ficarem bem apoiadas.

A nova determinação do Contran diz que a partir do ano que vem todas as crianças até sete anos e meio precisarão ser transportadas em cadeirinhas. Para se adaptar à nova leia, as vans de São Paulo só poderão levar 14 crianças, quatro a menos do que hoje. A maior preocupação dos motoristas é com o custo da reforma do veículo, que deve ficar em torno de R$ 27 mil.

Os motoristas de vans escolares são contra a lei e realizaram a primeira manifestação nacional no dia de sua publicação. A lei já existe, mas o Contran ainda não decidiu como ela vai funcionar na prática.